Morri.
Morri num segundo do pôr do sol de uma tarde chuvosa.
Não é que tivesse morrido, isto é, ficado sem vida, ainda consigo sentir-me vivo.
Mas morri de saudade, de melancolia e de romance.
Morri mas ninguém me matou, suicidei-me. Sim,
roubei a vida ao meu subconsciente, assassinei-o. Sou um criminoso, metam-me atrás das grades.
Ninguém tem o direito de me ter tirado a vida, muito menos eu mesmo.
Altruísta. Com tudo, com todos, menos comigo.
Egoísta, não quis dar-te coisas que sabia que não as usarias bem, João Paulo,
não te dei amor, confiança. Dei-te sofrimento, imaginação.
Naquele momento em que te tirei vida, certifiquei-me vezes sem conta de que estarias mesmo
morto.
Não te matei por não gostar de ti, matei-te por não gostares de mim. Sim João, matei-te
porque nunca mostraste afecto por mim depois de tudo o que fiz pela nossa relação.
Há noite quando me deitava passavas a vida a pensar em futilidades, essa capacidade
de imaginar o impossível nunca me deixou dormir e fi-lo, teve de ser, tirei-te a mente.
Até tinhas cores bonitas, mas eram transparentes demais, por isso, descolorei-te.
João Paulo Maio, no dia em que quiseres voltar a viver ou se formos um pouco mais longe
na sanidade, se um dia quiseres reencarnar em alguém, podes voltar para mim, porque te amo de verdade,
mas volta para me fazeres feliz.
Vive intensamente.

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