Era uma vez...
É assim que começa sempre, e desta vez não é excepção, por isso cá vai...
Era uma vez um menino, Pedro, era o seu nome. Era um rapaz bem parecido, querido pelas pessoas, social e tinha uma característica nele que sobressaía a quem estivesse um pouco mais atento, ele era sobretudo...confuso e ingénuo. Aliás ele não era confuso, ele estava e apresentava-se à segunda radiografia tirada um rapaz com muitas dúvidas na cabeça.
Pedro era o charme em pessoa, uns olhos verdes fantásticos, cabelo loiro reluzente, um bom sorriso e as raparigas caíam-lhe aos pés. Mas Pedro não tinha a certeza se era isso que queria.
Pedro era um desportista, um amante de várias modalidades, por isso mesmo, Pedro exercia futebol num clube local da sua cidade, a norte.
Pedro tinha segredos escondidos, tinha pecado, pelo menos era isso que corria na boca das pessoas. Mas ninguém o julgava de forma alguma. Pedro pecou, a decisão foi dele e o mesmo nem sequer se importou se Deus o iria perdoar, não lhe importava isso de forma alguma.
Pedro era feliz.
No clube onde Pedro jogava os colegas falavam muito dele, o treinador dizia que ele era o mais bem parecido da equipa e os mais chegados a ele achavam-no estranho por vezes.
Pedro tinha atitudes estranhas. De certa forma isso já era muito falado e certos colegas até começavam a questionar-se.
Pedro namorava com uma rapariguinha muito simpática e sorridente. Sempre pronta a divertir-se.
Mas Pedro não lhe dava muita atenção, a miúda amava-o e isso era notório, mas Pedro, gostando dela, não sentia amor, apenas gostava dela, como pessoa.
Pedro era distante dela, e quando se falava dela, ele tentava mudar de conversa como quem se quer desmarcar daquilo tudo e fingir que nada existe.
Pedro engraçava com um rapaz do seu clube, aliás, Pedro começava a achar que gostava dele, e não escondia muito isso quando estava com ele. Mas aquilo tudo era estranho para ele, não tinha a certeza, namorava com uma rapariga linda e sentia que ia feri-la.
O rapaz morava a 2 minutos da casa de Pedro e sempre que calhava iam para os treinos juntos.
Num fim de tarde, antes de irem a jogo, Pedro perguntou ao seu amigo que achava colorido:
- Tenho de te perguntar uma coisa! - não sabia se havia de perguntar mesmo, aquilo ia parecer, aliás, estava a ser embaraçoso.
-Pergunta - ripostou o colega, como que a encorajá-lo para perguntar mesmo o que ele queria.
Pedro parou um segundo para pensar e amedrontou-se.
- Quanto ficou o jogo de hoje à tarde do Porto? - acobardou-se de certa forma e perguntou uma coisa que ele já sabia.
Aliás, Pedro tinha estado com a namorada num café a ver, a espaços, o jogo. Mas achou por bem não perguntar o que queria perguntar.
- Ganhou 8-0, acho que já sabias... - o amigo ficou a pensar, seria mesmo aquilo que ele queria ter perguntado?
Também Martim, o tal colega de Pedro, era assim que se chamava, começava a ficar muito confuso. O que seria que aquele rapaz, Pedro, que ele achava que conhecia bem de uma forma ou de outra, tinha na cabeça?
Nesse dia, a equipa ganhou, a equipa estava muito unida, Martim marcou, ficou felicíssimo com a vitória, tal como todos os seus colegas.
No balneário todos festejavam, uns abraçavam-se, gritavam palavras de vitória, elogiavam-se uns aos outros e Martim recolhia alguns louros.
- Tinha de ser tu Martim, eu sabia, e pensei, tem de ser o Martim a ir lá acima e dar-nos a vitória - elogiava um colega de equipa a Martim.
Martim ria-se, ele não se gabava do que fazia, quer dizer, interiormente achava-se o maior naquele momento, mas não o mostrava, não era correcto e Martim sabia-o, como tal, elogiava os outros companheiros de igual forma, tentando distribuir o mérito por todos.
Depois de todos o frenesim, Martim despiu-se, Pedro estava a seu lado, era incrível como parecia que por obra do acaso ficavam sempre juntos...
Enquanto tirava o material de banho da mochila, Martim não pôde deixar de reparar que Pedro não tirava os olhos dele. Ficou de certa forma incomodado e nem olhou para Pedro. Limitou-se a dirigir-se ao chuveiro,onde passado 2 minutos lá estava Pedro, mais uma vez ao seu lado.
Martim não se importava. Pedro não o evitava.
Estavam a gostar deste joguinho, sabiam o que queriam dizer um ao outro, mas não o faziam, estava a ser divertido assim.
Martim foi para casa a pensar no aconteceria da próxima vez que houvesse treino, estava com muito medo.
Pedro seguiu também o seu caminho, foi para casa, tomou banho, jantou e adormeceu, antes de o fazer tinha pensado que truque iria usar no treino seguinte para que o jogo não parasse.
E não parou, durou durante semanas sem fim e eles gostavam daquilo. Jogavam e jogavam, um jogo sem fim, mas sem nunca falarem daquilo cara a cara. Não combinavam, era espontâneo e estavam a adorar. Eram os dois bons jogadores, Martim fazia muito bluff e Pedro mostrava o seu carinho.

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