quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Hey, don't look at me





Vezes sem conta o provável acontece sempre. Mais uma vez o assunto à baila, o disfarce e a mutação. Sempre que tocam na ferida não se consegue não querer desaparecer e ser igual a toda a gente. É o que vem à mente, fugir, para bem longe daquela sala que parece intoxicada de complexo, pessoas complexadas e assuntos complexos. Olhar à volta ver tudo a rir menos tu, tudo a fazer troça e tu a fingires que nem sequer estás a ouvir o que se está a dizer, olhar na diagonal e reparar que afinal não és o único que não estás a achar piada. Interrogares-te porque é que aquela pessoa que não está a achar piada nenhuma ao assunto e parece, tal como tu, querer fugir rapidamente ao assunto. O teu cérebro ficar quase como infinitos pontos de interrogação tentando desmistificar o que aquela pessoa tão sociável, tal como tu, parece esconder, talvez um segredo muito grande que nunca contou a ninguém e tem medo de o fazer. Reparares que já noutra sala, noutra situação e momento completamente diferente, aquela tal pessoa está a olhar fixamente em ti, tentares fixar nela, esta apercebe-se da situação e olha também na tua direcção e ficam, alguns segundos, assim, sem retirarem os olhos um do outro, a tentar ler o que esconde realmente o olhar de cada um, querendo chorar e não poder, tentar ser forte.
Eu que tenho sido forte, não tenho caído por nada, por tudo, por qualquer coisa. 
Eu que tenho sido quem não sou, que sou o verdadeiro dos verdadeiros e que já tentei passar para o outro lado quase sem pensar no que estaria a fazer.
Eu que em certos momentos quero morrer e ficar lá em cima a ver quem realmente iria gritar por mim.
Eu que em certos momentos tenho um gozo danado em estar vivo e em ser o João Paulo verdadeiramente como ele é, que me dá prazer estar no planeta Terra e em partilhar momentos com os que sei que nunca me irão deixar apesar dos meus erros, das minhas escolhas e opções.
Geneticamente sou assim, uma parte de mim ninguém sabe, mas tenho a tendência a pensar ser o único nesta situação, mas na verdade não sou, nunca irei ser.
Não olhem para mim pelo que faço, mas olhem para mim pelo que sou, a opção é vossa, ou me apoiam ou me suprimem.

No matter what they say

Sem comentários:

Enviar um comentário