quinta-feira, 2 de junho de 2011

Retrospectiva

Sou uma lágrima que caiu
num chão que se assombrou
e na lágrima que se viu
a tempestade chegou

Sou o rosto apagado
entre a esfera e o céu
Sou o traço que rasgado
numa noite será teu.

Sou os olhos que fechados
de pálpebras descaidas
e as lágrimas que se soltam
das tristezas desmedidas

Sou o som que do além
se ouve sem amanhã
sou o príncipe que chega
de surpresa pela manhã

Sou o medo da criança
que se sente apavorada
que depois da sua infância
nunca mais será amada

Sou a palavra solta
que tu nunca entendes
sou os braços que te seguram
numa força de valente

Sou a corrente que corre
com a força de um rio
sou uma força parada
grande como um navio

Sou a face tão sentida
como um nevoeiro branco
és a porta do coração
que a sete chaves tranco

Somos o receio de ficar
na longe escuridão sós
sou o grito que se solta
pela tua doce voz

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