A letra 'E', representa o Egoísmo. Esta letra irá encaixar-se totalmente, na última pessoa que me magoou. Lembras-te do primeiro dia em que falamos? Um domingo à noite...Facebook dos milagres. Nesse dia eu disse "eu vou apaixonar-me". Pum...em menos de 3 dias, eu estive contigo pessoalmente, com um intruso pelo meio. Timidez, pura timidez, um cumprimento, troca de olhares e muita, muita confusão no cérebro. "Adeus", disse eu ao despedir-me naquele dia, e um silêncio insurdecedor fez com que se ouvisse o bater do meu coração. Fui a correr para casa, um bom quilómetro a correr. Não me cansei, estava feliz, cheguei a casa tomei um banho, relaxante para pensar em ti. Ideias na cabeça, muitas, começavam a surgir as primeiras...e os primeiros ciúmes, mas tu ainda não me pertencias, era EGOÍSMO da minha parte ter ciúmes. Falamos, falamos, falamos, falamos, ficou tanto por dizer. Uma simples conversa, e senti a tua excitação, o teu atrevimento, pensei "agora estou a conquistar-te". Engano, mero, puro, engano. Mas não desarmei. Terça-Feira, lá tinhamos nós combinado, em frente à Biblioteca Municipal, ponto de encontro, caminhos cruzados. Pensando eu que iriamos ter uma tarde deveras interessante, com um lanche, um passeio, enganei-me mal me convidaste "vamos entrar?". Podia ser, eu tinha a tarde toda. A minha intenção estava completamente livre de quaisquer pecados. Sigo eu, a conduzir-te, aos livros (se estavamos na biblioteca, vamos lá espreitar a literatura), sou confrontado com a pergunta: "O que vamos fazer para a zona dos livros?". Nem pensei, estava tão sedado que dei razão. Procuraste a casa de banho, levaste-me contigo, ficamos uns 10 minutos a conversar, quando abres uma porta, espreitas e perguntas "então? És muito tímido". O amor deixa-nos tímidos. Fizemos, nesse dia, a banalidade mais fútl do mundo, uma coisa feita sem amor não é a mesma. Nesse momento percebi que era um erro amar-te, não te conhecia (por fora parecia que sim), por dentro, não me deixaste descobrir. Nesse dia, já não fui a correr para casa, fiquei-me por lá, lanchei, pensei, questionei-me realmente, se o que eu tinha assumido uns dias antes seria verdade, será que era mesmo? Cheguei a casa, voltei a tomar um banho, mas dessa vez para tirar as marcas do meu corpo, as que tu deixaste. Já não as queria, já não precisava delas. Uma coisa que me dava tanto prazer, afinal não deu. Fiz uma opção, escolhi que iria descobrir quem és de verdade. Atingi uma resposta. Tu já não eras quem eras, há 9 anos. Deixaste de o ser, sabias representar, perdias-te nos teus fúteis papéis, não dando importância ao mais lindo dos cenários...a vida de fora. Vives no mundo do cor-de-rosa, os filmes do Burton fazem-no. Voltamos a falar, imposeste-me uma ordem..."tens de me esquecer, porque eu quero esquecer-te". Fizemos aquilo tudo, sentiste o prazer, desvalorizando o que eu poderia sentir. Eras o papel e não o osso. Pensavas apenas em ti, só tu importavas. O mundo à tua volta, os sentimentos, eram como se fossem os de um boneco de porcelana. A porcelana caiu no chão, partiu-se o peito. Não o colaste de novo. Deixaste-o aberto, pensando bem, os pedaços de porcelana que estão no chão, voltar-se-ão a unir, e sem usar qualquer colete, será um peito à prova de bala. O tempo faz sarar as feridas. Eu posso perdoar, mas nunca esquecerei. Todos os dias ainda há uma parte de ti que me consome, mas eu faço de faúlhas labaredas. O egoísmo em pessoa, é esse o sentimento que se apudera de mim quando eu tenho de te descrever. Senti-me um brinquedo nas tuas mãos, mas há uma coisa muito importante a tirar disto...é que tu, durante 30 minutos me quiseste. E esta é a letra 'E', de Egoísmo.

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